Codificando a sífilis: sobre a realidade dos dados
(Nota do editor: Este post no blogue faz parte do Thematic Series Data Swarms Revisited) A sífilis, uma infecção causada pela bactéria treponema pallidum, é uma importante doença. Começa como uma lesão na pele e se desenvolve até deformar os ossos, comprometer o sistema nervoso central e, em última instância, causar a morte. Durante a gravidez a doença também pode ser transmitida de mãe para filho. A sífilis acompanha nossa espécie desde ao menos a renascença e gerou várias inovações na ciência moderna ao longo de sua história. Ajudou a dar início à serologia por meio da Reação de Wasserman (Fleck, 2010), o primeiro teste de detecção, e foi crucial para a consolidação de perspectivas somatológicas de doenças mentais na psiquiatria (Carrara and Carvalho 2010). Devido à transmissão sexual da doença, nos séculos dezoito e dezenove a sífilis encarnou o mal venéreo por excelência em regimes sexuais restritivos (Fleck 2010; Quetel 1986). Desde essa época, a sífilis ajuda a estabelecer as bases para os códigos de conduta social e até mesmo para as ideias de “eu” em sociedades ocidentais, como por exemplo na criminalização da prostituição (Carrara 1996; Bastos 2007) e na conformação de teorias de contágio e suas relações de sujeito-corpo (Echeverría 2010). (read more...)